Uma spec chamada Open Knowledge Format
Em 12 de junho de 2026, Sam McVeety e Amir Hormati, engenheiros do time de dados do Google Cloud, publicaram o OKF, Open Knowledge Format: formato aberto de conhecimento.
É uma especificação que cabe em uma página e define como representar o conhecimento que sistemas de IA precisam: em markdown (texto simples), dentro de pastas, com um cabeçalho estruturado por arquivo. Versão 0.1, código aberto, no GitHub.
O Google, dono de algumas das maiores infraestruturas de dados do planeta, escolheu pastas de texto como formato universal de conhecimento para IA.
O conhecimento que faz a IA acertar está espalhado
Para uma IA responder certo sobre o SEU negócio, ela precisa do conhecimento interno: o que cada métrica significa, como os sistemas se conectam, qual o manual de cada situação. Hoje, esse conhecimento vive espalhado: em ferramentas com formatos próprios, em wikis e drives, em comentários de código e, pior, "na cabeça de alguns engenheiros sêniores".
Nas palavras do post: "todo construtor de agentes está resolvendo o mesmo problema de montagem de contexto do zero... e o conhecimento fica trancado atrás da ferramenta que o criou".
Um formato, não mais um aplicativo
A sacada do Google são três regras. Só markdown: texto que qualquer editor abre. Só arquivos: vive em qualquer pasta, viaja como um zip, versiona com o código. E só um cabeçalho com campos fixos no topo de cada arquivo: tipo, título, descrição, tags.
Qualquer um produz sem ferramenta especial. Qualquer um consome sem integração. E o conhecimento sobrevive quando você troca de sistema, de time ou de fornecedor.
O formato é o contrato. A ferramenta é detalhe trocável.
Cada conceito é um arquivo; os links viram um grafo
Cada conceito do negócio (uma tabela, uma métrica, um processo) vira um arquivo: cabeçalho estruturado em cima, corpo em texto livre embaixo. Os arquivos linkam entre si com links normais de markdown, e o diretório vira um grafo de relações, mais rico que a hierarquia de pastas.
Um index.md opcional guia a leitura em camadas, revelando detalhe conforme o agente navega. Um log.md registra o histórico de mudanças. E a spec exige exatamente UM campo obrigatório por arquivo: o tipo. Todo o resto é decisão sua.
Minimamente opinativo, de propósito: a spec define a superfície comum, não o seu modelo de conteúdo.
"IAs não esquecem de atualizar a referência cruzada"
O OKF formaliza um padrão que Andrej Karpathy, um dos pesquisadores mais influentes da área, já tinha nomeado: a LLM-wiki, a wiki mantida pela própria IA.
O argumento dele é desarmante: todo mundo já tentou manter uma wiki ou um caderno de anotações organizado. E abandonou, porque a manutenção cansa: atualizar link, manter índice, cruzar referência. A IA não cansa, não fica entediada, e toca 15 arquivos numa passada só.
A papelada que faz humanos abandonarem wikis pessoais é exatamente o que a IA faz de melhor.
Todo mundo já fazia, cada um do seu jeito
O post reconhece: esse padrão já existia com vários nomes. Vaults do Obsidian conectados a agentes de IA. A convenção de arquivos CLAUDE.md e AGENTS.md. Repositórios com index.md e log.md. Times de dados tratando "metadados como código".
O problema, nas palavras do post: "o padrão é poderoso, mas cada instância é feita sob medida". O conhecimento fica isolado no time que o criou. O OKF dá ao padrão o que faltava: nome, contrato e portabilidade.
87 dias antes, outro grupo chegou à mesma resposta
Aqui está o detalhe que transforma este post em evidência: 87 dias antes, em 17 de março de 2026, dois pesquisadores independentes (Van Clief & McDermott) tinham publicado no arXiv a mesma tese pelo outro lado: pastas + markdown como arquitetura de trabalho para agentes de IA.
Dois grupos que não se conhecem. A mesma resposta. O mesmo trimestre. Na ciência, quando isso acontece, tem nome: convergência independente, o sinal de que um padrão amadureceu.
Se o valor estivesse no modelo de IA, ninguém estaria padronizando pastas.
Sua vantagem num formato que você controla
O conhecimento do seu negócio, aquilo que só você sabe, não precisa ficar preso em nenhum aplicativo. Ele pode viver em arquivos seus: legíveis por você, legíveis pela IA, versionados, portáteis. É o formato que o Google acabou de validar.
E é exatamente essa base que você constrói no CCP: as suas pastas, o seu contexto, a sua IA lendo os arquivos certos. Publicado em junho de 2026: quem monta isso agora está implementando o estado da arte.